24/06/2022

Nós nascemos como seres morais ou aprendemos a moralidade?

Redação do Diário da Saúde

Origem da moralidade

Por milênios, os filósofos têm ponderado sobre se os humanos são inerentemente bons.

A punição do comportamento antissocial parece ser tipicamente humana, mas é universal em todas as culturas. No entanto, o desenvolvimento do comportamento moral não é bem compreendido. Um dos motivos é que é muito difícil examinar a tomada de decisão e a iniciativa em bebês, antes que eles possam ser influenciados pelos pais e educadores.

"A moralidade é uma parte importante, mas misteriosa, do que nos torna humanos. Queríamos saber se a punição de terceiros antissociais está presente em uma idade muito jovem, porque isso ajudaria a sinalizar se a moralidade é aprendida," detalhou o professor Yasuhiro Kanakogi, na Universidade de Osaka.

E a equipe do professor Kanakogi de fato colocou um elemento novo nessa discussão ao descobrir que crianças muito pequenas podem agir com base em julgamentos morais.

Os experimentos em busca da origem da moralidade revelaram que bebês de 8 meses de idade podem punir o comportamento antissocial demonstrado por terceiros.

Isto dá suporte à ideia de que a motivação que impulsiona a punição pode ser "intrínseca" - nascer com o indivíduo -, em oposição a uma motivação aprendida socialmente.

Bebês que punem

Para enfrentar a dificuldade de fazer experimentos de tomada de decisão com bebês, os pesquisadores desenvolveram uma abordagem totalmente nova. Primeiro, eles familiarizaram os bebês com um sistema de computador no qual animações eram mostradas em uma tela. Os bebês podiam controlar as ações na tela usando um sistema de rastreamento do olhar, de modo que olhar para um objeto por um período de tempo suficiente levava à destruição do objeto.

Os pesquisadores então mostraram um vídeo em que um agente geométrico parecia ferir outro agente geométrico, e observaram se as crianças puniam o agente geométrico antissocial olhando mais para ele do que para outros agentes que não cometeram a agressão.

"Os resultados foram surpreendentes," contou Kanakogi. "Descobrimos que bebês pré-verbais escolheram punir o agressor antissocial aumentando seu tempo de olhar para o agressor."

Este novo paradigma para estudar a tomada de decisão em um contexto social pode ser um importante ponto de virada na pesquisa cognitiva infantil. Em particular, enquanto muitas pesquisas anteriores sobre cognição infantil usaram observações de terceiros e, portanto, examinaram respostas passivas a eventos, o paradigma do olhar permite a observação da tomada de decisão ativa.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Third-party punishment by preverbal infants
Autores: Yasuhiro Kanakogi, Michiko Miyazaki, Hideyuki Takahashi, Hiroki Yamamoto, Tessei Kobayashi, Kazuo Hiraki
Publicação: Nature Human Behaviour
DOI: 10.1038/s41562-022-01354-2
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