18/05/2020

Pessoas se abrem mais pelo celular do que pelo computador

Redação do Diário da Saúde
Pessoas se abrem mais pelo celular do que pelo computador
Você pode revelar muito sobre sua personalidade pelo modo como mexe o celular.
[Imagem: Pixabay]

Intimidade no celular

As pessoas revelam mais informações pessoais sobre si mesmas online quando usam seus celulares do que quando estão usando seus computadores.

Por exemplo, os tweets e os comentários feitos no celular têm maior probabilidade de serem escritos na perspectiva de primeira pessoa, de revelar mais emoções negativas e discutir questões envolvendo a própria família e amigos.

Da mesma forma, quando os usuários veem um anúncio que solicita informações pessoais (como número de telefone ou sua renda), é mais provável que as forneçam quando a solicitação é recebida no celular do que no computador.

Mas por que os celulares têm esse efeito no comportamento?

"Escrever no celular geralmente diminui as barreiras para revelar certos tipos de informações confidenciais por dois motivos: um decorrente das características únicas da forma dos telefones e o segundo das associações emocionais que os consumidores tendem a manter com seu aparelho," afirmam Shiri Melumad e Robert Meyer, psicólogos da Universidade da Pensilvânia (EUA).

No primeiro caso, uma das características mais marcantes dos telefones celulares é o tamanho pequeno, algo que torna a visualização e criação de conteúdo geralmente mais difícil em comparação com os computadores. Devido a essa dificuldade, ao escrever ou responder em um celular, a pessoa tende a concentrar-se na conclusão da tarefa e a se tornar menos consciente dos fatores externos que normalmente inibem a autodivulgação, como preocupações com o que os outros fariam com a informação. Os usuários de celulares conhecem bem esse efeito - quando eles usam seus telefones em locais públicos, geralmente se fixam tão intensamente em seu conteúdo que ficam alheios ao que está acontecendo ao seu redor - esse alheamento também vale para quem está "do outro lado" da mensagem.

O segundo caso, em que as pessoas tendem a ser mais reveladoras em seus celulares, ocorre devido aos sentimentos de conforto e familiaridade que elas associam a seus telefones. "Como nossos celulares estão conosco o tempo todo e desempenham tantas funções vitais em nossas vidas, eles costumam servir como 'chupetas para adultos', trazendo sentimentos de conforto aos seus proprietários," ilustra Melumad.

Celulares e relações com empresas

O efeito resultante desses sentimentos aparece quando as pessoas se mostram mais dispostas a revelar sentimentos a um amigo próximo, em comparação com um estranho, ou se abrem mais para um terapeuta quando o ambiente é mais confortável. "Da mesma forma, ao escrever em nossos telefones, tendemos a sentir que estamos em uma 'zona segura' confortável. Como consequência, estamos mais dispostos a nos abrir," disse Meyer.

Segundo os pesquisadores, suas descobertas têm implicações claras e significativas para a relação entre empresas e consumidores, podendo ser exploradas para que estes atendam aos interesses daquelas.

Por exemplo, sugerem os pesquisadores, se uma empresa deseja obter uma compreensão mais profunda das preferências e necessidades reais dos consumidores, pode obter melhores insights rastreando o que eles dizem e fazem em seus celulares do que em seus computadores. Da mesma forma, como conteúdos que mostram abertura e intimidade das pessoas são percebidos como mais honestos, as empresas podem incentivar os consumidores a postar críticas em seus celulares.

Mas existe também um alerta para os usuários: Os resultados da pesquisa sugerem que o aparelho que as pessoas estão usando para se comunicar afeta o que elas comunicam. Isso deve ser levado em conta quando elas estão interagindo com empresas ou com outras pessoas.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Full Disclosure: How Smartphones Enhance Consumer Self-Disclosure
Autores: Shiri Melumad, Robert Meyer
Publicação: Journal of Marketing
DOI: 10.1177/0022242920912732
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