16/04/2019

Documento traça estratégias para uso racional de medicamentos e contra medicalização

Redação do Diário da Saúde

Medicalização da vida

É crescente o debate nas comunidades médica e científica acerca da chamada medicalização, ou "doenças inventadas", a criação de novos rótulos para condições antes consideradas "normais" - ou não patológicas.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos acabam de se juntar a essa discussão, com o lançamento de uma publicação intitulada Uso de medicamentos e medicalização da vida: recomendações e estratégias.

O documento centra-sem em três temas que estão no topo das preocupações dos especialistas em saúde pública: a medicalização da vida, o uso de medicamentos por grupos em situação de vulnerabilidade e o uso racional de antibióticos.

O objetivo central é mostrar que, quando utilizados indevidamente, os medicamentos podem ser danosos à saúde e, inclusive, levar à morte.

"É importante ressaltar que o medicamento é uma tecnologia importante no processo terapêutico de inúmeros tipos de doenças. Porém, é preciso evidenciar o uso indiscriminado e, muitas vezes, desnecessário," diz a publicação.

Para evitar essas armadilhas, é essencial que os profissionais de saúde estejam atentos aos diversos aspectos relacionados à farmacoterapia do paciente, observando se de fato determinado medicamento está indicado, se é efetivo e seguro, e se há adesão ao tratamento.

Resistência microbiana e uso irracional de remédios

Durante o lançamento do documento, Fernanda Rebelo, da Anvisa, chamou a atenção para um aumento alarmante no consumo de antibióticos de classes terapêuticas que não são necessariamente a primeira opção de tratamento, o que contribui para o crescimento da resistência antimicrobiana.

"Nos últimos quatro anos, o número de prescrições e consumo de antibióticos nos estados quase triplicou. Começamos a fazer análises laboratoriais e os dados sobre resistência são preocupantes e impactantes. É um problema mundial e que temos que abordá-lo com mais propriedade," afirmou.

Já Tomás Pippo, da OPAS, lembrou que o "uso irracional de medicamentos, além de não produzir benefícios para a saúde, pode gerar consequências negativas e desperdícios ao sistema de saúde. Esses recursos poderiam ser realocados para ampliar a cobertura e o acesso, que nem sempre é equitativo."

Ele ressaltou também a necessidade da integração de farmacêuticos às equipes de saúde. "A assistência farmacêutica exige um trabalho de equipes multidisciplinares. Cada um tem uma responsabilidade a cumprir, mas o trabalho precisa ser integrado. Fazemos um chamado para o fortalecimento dessas equipes e da assistência," disse Pippo.

Ferramentas à mão

O Brasil foi um dos primeiros países a criar um comitê para o uso racional de medicamentos e que possui ferramentas importantes, como a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), a Política Nacional de Medicamentos e a Política de Assistência Farmacêutica.

"Normativamente, temos tudo o que é necessário. Agora, o desafio é implementar, fazer com que a assistência chegue de forma equitativa," disse Pippo.

O documento Uso de medicamentos e medicalização da vida pode ser baixado gratuitamente.


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