06/01/2026

Conheça a biofobia, o medo da natureza

Redação do Diário da Saúde
Biofobia, o medo da natureza
A aversão à natureza parece se realimentar de uma falta de contato e da falta de conhecimento.
[Imagem: Johan Kjellberg Jensen et al. - 10.1002/fee.70019]

Biofobia

A natureza é uma fonte de bem-estar e recuperação para a grande maioria das pessoas. A natureza faz tão bem para o corpo e para a mente que já há cientistas testando o uso da natureza como medicamento.

No entanto, várias pesquisas científicas mostram que também há um número crescente de indivíduos que experimentam emoções negativas, como medo, desconforto ou até mesmo repulsa, em relação à natureza.

"A pesquisa científica há muito tempo parte do pressuposto de que as pessoas sentem, fundamentalmente, emoções positivas em relação à natureza. Nós examinamos o oposto, ou seja, quando existe uma relação negativa com a natureza, e reunimos conhecimento sobre como ela surge, quais são as suas consequências e como pode ser revertida," conta o professor Johan Jensen, da Universidade de Lund (Suécia).

A equipe identificou quase 200 artigos científicos de diversas áreas de pesquisa, realizando então uma revisão sistemática de todos eles. Para isso, resultados de pesquisas de todo o mundo, incluindo estudos realizados na Suécia, no Japão e nos EUA, foram compilados para fornecer um panorama completo da biofobia.

Os resultados mostram que as emoções negativas de aversão à natureza são moldadas tanto por fatores externos, como o ambiente ao nosso redor, a exposição à natureza e as narrativas da mídia, quanto por fatores internos, incluindo características de saúde e emocionais.

Biofobia, o medo da natureza
Veja as muitas maneiras pelas quais a natureza gera o bem-estar humano.
[Imagem: Nicola Burghall]

Educação para a natureza

Os pesquisadores também observaram indícios de que nossa relação com animais, plantas e a natureza em geral está se deteriorando com o tempo. Isto porque a falta de contato com a natureza e o conhecimento limitado sobre ela podem se reforçar mutuamente, formando um ciclo vicioso.

"A urbanização, combinada com as atitudes dos pais, pode aumentar os sentimentos negativos e a percepção de perigo na natureza entre as crianças, algo que se torna particularmente relevante à medida que mais e mais crianças crescem nas cidades," afirmou Jensen.

É reconhecido que o contato com a natureza traz benefícios para a saúde, da redução do estresse em adultos até a melhora do desempenho escolar das crianças. Mas esta nova análise revela que emoções negativas podem fazer com que as pessoas percam os benefícios da natureza para a saúde e também contribuam para atitudes e comportamentos que contrariam os esforços de conservação e sustentabilidade. Isso pode incluir a aversão a espécies que, na verdade, são inofensivas ou até mesmo benéficas.

A equipe espera que essa revisão dê à biofobia uma posição mais clara na pesquisa científica e contribua para a busca de soluções. Segundo Jensen, um passo importante seria aumentar nossa exposição à natureza, por exemplo, desenvolvendo espaços verdes e fortalecendo a biodiversidade nas cidades, o que pode proporcionar às crianças experiências positivas com a natureza desde cedo.

"O fenômeno da biofobia é amplo e exige um conjunto diversificado de ferramentas. Em alguns casos, trata-se de aumentar o conhecimento e o contato com a natureza; em outros, pode ser sobre reduzir os pontos de conflito entre humanos e natureza. Precisamos entender melhor os mecanismos por trás das emoções negativas para reverter essa tendência," concluiu Jensen.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Toward a unified understanding of peoples aversion to nature: biophobia
Autores: Johan Kjellberg Jensen, Anna S Persson, Masashi Soga
Publicação: Frontiers in Ecology and the Environment
DOI: 10.1002/fee.70019
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