05/02/2020

Carapaça de caranguejo vira supercasca de ovo

Com informações da Agência Fapesp
Carapaça de caranguejo vira supercasca de ovo
O produto poderá ser aspergido sobre os ovos diretamente na granja, como se fosse um verniz.
[Imagem: Luiz Fernando Gorup / UFGD]

Filme de quitosana

Pesquisadores brasileiros transformaram o material de proteção dos crustáceos, descartado pela indústria alimentícia, em um novo tipo de "carapaça" para proteger alimentos delicados, incluindo ovos.

"Além de aumentar a resistência e ter propriedades antifúngica e bactericida, o biofilme permite vedar microfissuras e poros na superfície dos ovos. Isso resulta em um aumento do tempo de prateleira do produto," contou o professor Luiz Fernando Gorup, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que desenvolveu o material em colaboração com colegas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Ao contrário da carapaça dos animais marinhos, que é rígida, o material pode ser fabricado em diversas formas, incluindo líquido, pó ou na forma de um filme flexível e transparente, similar aos filmes plásticos já usados na cozinha. O material é produzido à base de quitosana, um polímero natural extraído da carapaça de crustáceos como camarão, lagosta e caranguejo.

Além de ovos, ele pode ser usado para revestir embalagens de alimentos diversos, conferindo maior resistência mecânica e proteção contra microrganismos. A estimativa da equipe é que o revestimento prolongue a durabilidade do ovo de 30 para 50 ou até 60 dias, dependendo das condições de armazenamento.

Revestimento para ovos

O material, que já teve patente depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), foi obtido por meio da associação de quitosana e sais de quaternários de amônia de todas as gerações disponíveis comercialmente.

Esses compostos, com propriedades antimicrobianas, são usados em concentrações controladas em indústrias de alimentos para desinfecção e como sanitizantes domésticos. A combinação com a quitosana em uma determinada concentração ideal resultou em misturas poliméricas nas quais os sais de quaternários de amônia ficam homogeneamente dispersos ou contidos na estrutura do material.

"Essas misturas poliméricas podem ser usadas nas formas de solução, emulsão, gel e dispersões, ou ainda contidas em outras matrizes ou suportes naturais ou sintéticos", explicou Luiz Fernando.

Na forma líquida, por exemplo, o material pode ser pulverizado nos aviários diretamente sobre a casca de ovos ou no banho de desinfecção do produto, na etapa de higienização.

Semelhante a um verniz flexível, o material forma um biofilme que impede a colonização de fungos e bactérias na superfície da casca do ovo, impedindo que os microrganismos penetrem através de microfissuras ou poros. Além disso, ao revestir o produto, impede a perda de umidade, controla gases e, consequentemente, evita a perda de massa do ovo por evaporação, protegendo o alimento em toda a cadeia, da produção à comercialização.

"Constatamos, em testes laboratoriais, que ovos recobertos com o material perdem 40% menos massa do que os sem a proteção com o material", afirmou o pesquisador.

O material, até agora produzido apenas em laboratório, já está pronto para ser escalonado para produção industrial, o que dependerá da associação com empresas interessadas em sua comercialização.

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