
Narcisismo por país
O narcisismo é um traço psicológico universal, com padrões consistentes observados em diversas culturas ao redor do mundo.
Embora as pessoas de alguns países mostrem-se mais narcisistas do que as nascidas em outros países, a consistência do comportamento em todo o mundo desmente a percepção, muitas vezes reforçada pela mídia, de que o narcisismo seria uma característica tipicamente norte-americana.
O narcisismo é um traço de personalidade que envolve autoestima excessivamente alta combinada com baixa empatia e foco exagerado no próprio eu. As pesquisas científicas na área tipicamente se concentram em populações ocidentais, criando a impressão de que esse fenômeno estaria ligado especificamente a culturas individualistas, como a dos Estados Unidos.
Por isso, Macy Miscikowski e colegas da Universidade do Estado de Michigan foram buscar dados de mais de 45.000 pessoas de 53 países.
Os resultados mostraram que os Estados Unidos não estão entre os países com os níveis mais altos de narcisismo, ocupando apenas a 16ª posição. A lista dos países com populações mais narcisistas é liderada pela Alemanha, seguida de Iraque, China, Nepal e Coreia do Sul.
No Brasil foram entrevistadas 1.777 pessoas de 14 a 37 anos de idade, e o país ocupa a 33ª posição no ranking global de narcisismo.

Como lidar com o narcisismo
Os pesquisadores também identificaram dois padrões que se mantiveram universais em todas as culturas analisadas: Os jovens adultos são significativamente mais narcisistas do que os mais velhos, e os homens apresentam níveis mais altos de narcisismo do que as mulheres, confirmando pesquisas anteriores.
Fatores como o PIB do país mostraram alguma influência (países mais ricos tenderam a pontuar mais alto), mas não alteraram esses padrões centrais de idade e gênero.
Estas descobertas têm importantes aplicações para a compreensão da psicologia humana em escala global, sugerindo que, além das influências culturais, podem existir forças biológicas e desenvolvimentistas universais que moldam a expressão do narcisismo ao longo da vida - com a juventude sendo um período de foco intenso no "eu", que tende a ser atenuado pelas experiências conforme a idade adulta avança.
Para a psicologia clínica e organizacional, esses dados fornecem um mapa mais preciso para identificar e lidar com dinâmicas narcísicas em ambientes multiculturais, dizem os pesquisadores. Além disso, o estudo aponta a necessidade de pesquisas futuras que investiguem como contextos econômicos, expectativas sociais e experiências de vida interagem para moderar o narcisismo, possibilitando intervenções mais eficazes e culturalmente sensíveis quanto o traço se tornar um problema.
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