05/04/2022

Publicadas recomendações para iluminação interna visando uma boa saúde

Redação do Diário da Saúde
Publicadas recomendações para iluminação interna visando uma boa saúde
Novas recomendações de iluminação ajudam a melhorar o sono, a vigília e a saúde fisiológica geral.
[Imagem: Pixabay/Pexels]

Luz e saúde

A luz que experimentamos em nosso dia a dia tem uma grande influência nos ritmos do nosso corpo.

Contudo, inúmeros estudos têm mostrado que os estilos de vida modernos, com acesso 24 horas por dia à luz elétrica e uma exposição reduzida à luz natural do dia, podem atrapalhar o sono e impactar negativamente a saúde, o bem-estar e a produtividade - por exemplo, a iluminação do ambiente afeta a forma como você toma decisões.

Por conta disso, os professores Timothy Brown, da Universidade de Manchester (Reino Unido), e Kenneth Wright, da Universidade do Colorado (EUA), iniciaram uma colaboração para abordar a questão de quão brilhante deve ser a iluminação durante o dia e à noite para ajudar a manter ritmos corporais saudáveis, um sono de qualidade e evitar a sonolência diurna.

Eles reuniram um corpo internacional de especialistas científicos, todos líderes em suas áreas, para consolidar as primeiras recomendações de consenso, baseadas em evidências, para uma exposição saudável à luz durante o dia, à noite e no período de sono.

As recomendações resultantes fornecem orientações que poderão ser usadas pelas indústrias de iluminação e eletrônica para ajudar a projetar ambientes mais saudáveis e melhorar a forma como iluminamos nossos locais de trabalho, os prédios públicos e, mais importante, nossas residências.

Como avaliar a iluminação artificial

Uma questão-chave abordada pela equipe foi como medir adequadamente até que ponto diferentes tipos de iluminação podem influenciar nossos ritmos corporais e padrões diários de sono e vigília.

A luz afeta esses padrões por meio de um tipo especializado de célula no olho que usa uma proteína sensível à luz, a melanopsina, que é diferente das proteínas nos bastonetes e cones que suportam a visão (e nas quais se baseiam as formas tradicionais de medir o "brilho").

Publicadas recomendações para iluminação interna visando uma boa saúde
Luz artificial demais está nos deixando doentes?
[Imagem: National Institute of General Medical Sciences]

Como a melanopsina é mais sensível à luz em uma parte específica do espectro visível (luz azul-ciano), as novas recomendações usaram um padrão de medição de luz recém-desenvolvido, adaptado a essa propriedade exclusiva, a "iluminância melanópica equivalente à luz do dia".

A análise de dados em uma série de estudos de laboratório e de campo provou que essa nova abordagem de medição pode fornecer uma maneira confiável de prever os efeitos da luz na fisiologia humana e nos ritmos corporais e, portanto, formar a base de recomendações amplamente aplicáveis e significativas.

Um próximo passo importante será a integração das recomendações nas diretrizes formais de iluminação, que atualmente se concentram nos requisitos visuais, e não nos efeitos sobre a saúde e o bem-estar.

"Essas recomendações fornecem o primeiro consenso científico, quantitativo, orientador para padrões diários apropriados de exposição à luz para apoiar ritmos corporais saudáveis, sono noturno e alerta diurno. Isso agora fornece uma estrutura clara para dizer como devemos iluminar qualquer espaço interior, desde locais de trabalho, estabelecimentos e unidades de saúde até nossas próprias casas," disse Brown.

Veja abaixo as principais recomendações dos especialistas.

Recomendações de luz noturna para ambientes residenciais e outros ambientes internos

Durante a noite, começando pelo menos 3 horas antes de dormir, o máximo recomendado é de 10 lux medidos no olho no plano vertical, a aproximadamente 1,2 m de altura. Para ajudar a conseguir isso, sempre que possível, a luz branca deve ter um espectro sem comprimentos de onda curtos próximo ao pico do espectro de ação melanópico.

Recomendações de luz noturna para o ambiente de sono

O ambiente de sono deve ser o mais escuro possível. O índice melanópico ambiente máximo recomendado é de 1 lux medido no olho.

Caso certas atividades durante a noite exijam visão, o índice melanópico máximo recomendado é de 10 lux medidos no olho, no plano, vertical a aproximadamente 1,2 m de altura.

Outras recomendações

A exposição a um ciclo claro-escuro diário estável e regular reforça o bom alinhamento dos ritmos circadianos, o que pode beneficiar ainda mais o sono, a cognição e a saúde. Estas recomendações devem, portanto, ser aplicadas à mesma hora todos os dias, na medida do possível.

Ainda de acordo com o documento, "estas recomendações não pretendem substituir as diretrizes existentes relacionadas à função visual e segurança. As respostas à luz ocular não visual abordadas aqui devem ser um nível adicional de consideração, desde que os padrões visuais relevantes ainda possam ser atendidos."

"Estas recomendações são derivadas com base em dados de (e se destinam a ser aplicadas a) adultos saudáveis (de 18 a 55 anos) com horários diurnos regulares. Considerações especiais podem ser aplicadas a populações específicas (por exemplo, crianças, idosos, trabalhadores em turnos ou outros indivíduos cuja sensibilidade à luz se desvia substancialmente de um adulto saudável 'médio')," finaliza o documento.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Recommendations for daytime, evening, and nighttime indoor light exposure to best support physiology, sleep, and wakefulness in healthy adults
Autores: Timothy M. Brown, George C. Brainard, Christian Cajochen, Charles A. Czeisler, John P. Hanifin, Steven W. Lockley, Robert J. Lucas, Mirjam Münch, John B. O’Hagan, Stuart N. Peirson, Luke L. A. Price, Till Roenneberg, Luc J. M. Schlangen, Debra J. Skene, Manuel Spitschan, Céline Vetter, Phyllis C. Zee, Kenneth P. Wright Jr
Publicação: PLoS Biology
DOI: 10.1371/journal.pbio.3001571
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